Pelas ruas: circuito Neruda
16 jan
Mesmo que este projeto seja uma busca de jovens artistas, o reconhecimento das nossas grandes referências faz parte do que somos hoje. Foi isso o que nos moveu a visitar as três casas de Pablo Neruda: La Chascona (Santiago), La Sebastiana (Valparaíso) e Isla Negra.
A primeira foi contruída para sua amante Matilde, que depois se tornou sua esposa. Chascona significa descabelada, e era assim que ele a chamava. Toda a casa é uma grande declaração de amor à Matilde (se nem Neruda deixa de ser piegas por ela, não sou eu quem vou tentar evitar).
A flor descabelada é o símbolo da casa e está espalhada por todos os cantos.
Nossa segunda parada foi em uma cidade chamada Valparaíso (suspiro). É uma cidade portuária linda e, como grande parte dela fica em morros, pode-se ter uma vista maravilhosa de qualquer lugar.
Entre muitos atrativos de Valparaíso está a chorrillana, prato típico chileno que nasceu por lá, e nós chegamos ao lugar que se diz criador da verdadeira receita.
Caminho sem volta para a perdição gastronômica.
Só a casa do Neruda seria um capítulo a parte. O cara, além de diplomata e Prêmio Nobel, ainda sabia projetar uma casa.
O ponto final foi em Isla Negra. Neruda é famoso pela paixão pelo mar, e suas casas não me deixam mentir. Todas foram construídas como se fossem um navio. É proibido tirar fotos de dentro delas, mas só este detalhe nos dá uma ideia:
Pablo Neruda reunia os amigos neste barco à esquerda para beber e, sempre que passava um navio em frente à sua casa, ele tocava esse sino da foto, porque esta é a saudação entre capitães.
A casa de Isla Negra é onde estão os maiores tesouros de Neruda. Ele colecionava tudo: taças, cavalos de madeira, peças de navio… A casa é também o lugar que ele escolheu descansar ao lado de Matilde, a Chascona.
Neruda não era um poeta só de palavras, e visitar suas casas é como ler três livros imperdíveis. Difícil terminar um post sobre ele, então deixo aqui um de seus poemas, que é o meu preferido:
Aqui na ilha
o mar
e quanto mar
sai de si mesmo
a cada momento,
diz que sim, que não,
diz que não, que não, que não,
diz que sim, em azul,
em espuma, em galope,
diz que não, que não,
não pode estar quieto.
Me chamo mar, repete
batendo em uma pedra
sem conseguir convencê-la.
Então
com sete línguas verdes,
de sete cães verdes,
de sete tigres verdes,
de sete mares verdes,
recorre-a, beija-a,
umedece-a
e golpeia-se no peito
repetindo seu nome.















Valparaiso é tudo o que há de fofo nessa vida, os “cerros”, coisa mais linda… Das casas de Neruda só fui à Chascona, e já achei super legal. Ficou uma vontadezinha de ir a Isla Negra.
Também ficamos encantados com Valparaíso, Gabriela! E se tiver a oportunidade, vale muito a pena conhecer as outras casas.
Obrigado pela visita e comentário! :)
Qual câmera vcs usaram nessas fotos? :)
Oi, Bruno!
Todas as fotos deste post foram tiradas com uma GoPro: http://pt.gopro.com//
Ela parece um brinquedo de tão pequena, mas faz ótimas fotos e vídeos.
:)